sábado, 21 de novembro de 2009

#Some Issues-II

Durante algum tempo, a minha rua foi o meu pequeno éden. Acordava, todos os domingos de manhã, e pensava: que delícia! Confeitaria óptima aqui ao lado aberta até às 20, supermercado aberto até ao meio dia ao lado da confeitaria, agricultura biológica até às 11 a 100 metros, quiosque em frente até às 15, que posso mais ambicionar para um preguiçoso domingo? Mas, a minha felicidade foi curta... isto, o mundo é injusto, já se sabe, e aceitamos aquilo que nos reserva o destino. No entanto, o que conto, nada tem a ver com desígnios ocasionais, sequer divinos! Isto, isto anda aqui mão do homem, do empresário ganancioso, daquele que é ávido por lucros!
Vou tornar mais claro. O Senhor-distinto desapareceu. Nunca mais o vi. Inicialmente, o quiosque não vendia cromos. Há uma relação nestes factos? Há! Claramente! A empresa de cromos, manda as suas equipas de marketing para o terreno, juntamente com sociólogos. Quando pensaram disponibilizar os seus produtos no quiosque da minha rua, primeiramente, mandaram essa gente observar os moradores durante tempo considerável - agora entendo o homem com quem me cruzava diariamente na porta do supermercado, era um deles! Com toda a certeza! Posteriormente, essas pessoas elaboram relatórios precisos, de modo a descreverem detalhadamente o “público alvo”. Claro, eu sou, sem sombra de dúvida, um alvo fácil, tenho os tais “problemas de autoridade”, e eles, experimentados nestas coisas, perceberam isso de imediato! A tal ponto de também se terem dado conta, da condicionante idade. A intimidar-me, teriam que o fazer através de alguém uns largos anos mais velho que eu - o Senhor-distinto era, imagino-lhe uns 60. Em suma, tudo isto não passou, afinal, de uma artimanha para incrementar as vendas! E, dê-se o devido valor a esses cérebros astutos, porque para minha desgraça, resultou em pleno!
E agora? Já não há mais minutos disponíveis a caminhos paralelos nas minhas 24 horas! E eu preciso tanto desses atalhos para me desviar de precalços decorrentes do meu “problemazinho”. O que devo fazer? Como posso precaver-me? E se a Sonae resolve aplicar igual estratégia? Nem quero pensar na loucura que se tornará a minha vida..., a qual, até ver, tenho conseguido manter num equilíbrio periclitante. Não quero pensar nas consequências desastrosas que o Tio Belmiro me pode provocar, se puser em prática essa perniciosa estratégia de marketing.
E pensar que a minha rua foi, em tempos, a única zona de segurança... já não estamos seguros em lugar nenhum, é o que é! As multinacionais não têm qualquer consideração pela tranquilidade residencial! Invadem o nosso quarteirão sem nenhum escrúpulo. O que importa é desenvolver as vendas! Não há respeito pelo consumidor, essa é que é essa!
Neste momento, rendi-me. Não há nada que possa fazer. Caí na armadilha dos objectivos empresariais... sou um pontinho colorido num gráfico de rendimentos. Resta-me talvez, adquirir a caderneta da “Kitty”, e pensar num nome para a sobrinha fictícia, porque eu sei, tenho a certeza, em breve, a Senhora-simpática, dirá: Vai levar os cromozinhos para a sobrinha, não é? E qual é o nome dela, como se chama a menina?






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