segunda-feira, 2 de novembro de 2009

#Qual Quero Envelhecer?

Elogios. Esta palavra desperta-nos de imediato uma súbita sensação de bem estar, ainda que não saibamos qual, oportunamente (sempre!),traremos para casa no final do dia. Essa  dúvida não nos provoca angústia, qualquer deles nos vai assentar bem. Equivalente a um stock off de sapatos: gosto de todos, levo os que me servirem!
No entanto, tal como quando contemplamos uma prateleira com muitos pares, para depois nos satisfazermos euforicamente com uns que, não seriam de todo 1ª escolha, também os elogios podem provocar-nos sorriso momentaneo, o qual esmorece à medida que caminhamos; aos poucos, o aparente conforto vai-se tornando ligeiramente doloroso, porque concentramos atenção nos pormenores emergentes, aqueles que sacrificamos à vaidade do regresso a casa sem ego descalço.
Recentemente agraciaram-me com um oversized Jane Austen, e embora o soubesse mais simpático do que sincero, deixou-me aquele rasgado sorriso crédulo. Pouco tempo depois, classificam-me noutro tipo de ranking, e sou condecorada com uma comparação a Yelena Isinbayeva; por muito que se justificasse saltar de alegria (sem vara) - trata-se de belíssimo espécime do sexo feminino - o meu rosto ressaltava inquietação...
Qual deles quero (des)acreditar ser? Qual o melhor elogio? Com qual destes sapatos devo sair da loja?
Esta é a mais ingrata (in)decisão: perpetuar-se nas capas e contracapas de clássicos adaptados à sétima arte, ou manifestar-se "artisticamente" como uma "clássica" memória masculina.
Confesso que, se me encontrasse com auge dos 20, 21, escolheria indubitavelmente a estante da livraria, mas, a sabedoria que ronda os 30 já me mostrou, peremptoriamente, que mulheres letradas são cada vez menos procuradas. E, convenhamos, actividade desportiva aumenta a esperança média de vida, já uma poeirenta prateleira de onde só sairei pela mão de um crédulo adolescente que, em pleno século XXI, ainda acredita no poder das palavras, só vai aumentar estatísticas de "jovens solteiros normais" na casa dos 30.

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