quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

#Tu Sabes...

Um dia, sentamo-nos numa mesa e deste-me um cartãozinho com a minha leitura, e naquela tua última noite de menina solteira rimos muito. E relemos as frases que eu diria no altar. Voltei para casa com a sensação que nada mudaria, que te sentiria sempre perto, mesmo depois da tua nova vida de casada. E vi-te entrar na igreja sob flashes dos anos de amizade adolescente que partilhamos - a década dos segredos, dos momentos, das convicções, das confissões, das certezas e dos medos. E lembrei-me também quando recebi aquela mensagem: "acabei o curso!". Tu sabias que essa mensagem me faria sorrir. Assim como eu sei que cada envelope amarelo que piscar no teu telefone a contar alguma coisa da minha vida, vai ter, obrigatoriamente, algum tipo de impacto em ti. E sei, percebo-te torcer por mim. Sei do meu lugar em ti. E sou capaz de sentir o teu coração tão apertado como o meu. Senti-o, em tempos, igualmente pequenino, naqueles emails que trocamos, quando os oito mil quilómetros se interpunham; quando sabias que as tuas palavras eram o que me podias dar e o que eu precisava para me sentir parte. Nunca fomos brilhantes em demonstrações de afecto, mas somos muito boas na nossa amizade, não somos? E o meu presente de regresso foi saber do teu "Pequenino Milagre". E o meu presente de Natal foi vê-lo mexer na tua barriga, enquanto lanchávamos e falávamos da vida que percorremos separadamente, sempre juntas pela amizade que construímos. E mesmo assim, porque tu cada vez mais me mostras que após anos e anos ainda não te conheço tudo, e me surpreendes de uma maneira sempre tão enternecedora, tão delicada, de uma forma tão tua, tão caracteristicamente deliciosa, obrigas-me às merecidas lágrimas que te devo, as quais me orgulho de chorar sempre, e repetir se necessário, por esta amizade que carrego com desejo, e dás-me o melhor motivo para jamais parar de escrever em 2010: lês-me com vontade, lês-me junto com a tua Bebé. Lês-me desde o dia que te contei, na pressa das novidades, que havia este espaço onde me arrisquei às palavras. E tu tiras-me todas com as tuas. E neste silêncio em que me deixas, restam-me o sal e a água enquanto leio o teu envelope amarelo no meu telefone.

No dia 9 de Fevereiro estarei lá. Sentar-me-ei à espera de ouvir o primeiro choro. Depois, novamente, sentirei o meu; de alívio, de alegria, de orgulho por me deixares partilhar de mais esse momento da tua vida. E por fim aguardei ansiosa a minha vez de a pegar ao colo.

2 comentários:

Anónimo disse...

Li. E chorei.
Reli. De novo as lágrimas. E a Baby a mexer, como que a entender o quanto gosto de ti.
Somos Amigas. De facto, nunca andamos a mostrar ao mundo que o éramos, mas nós sabemos :) Julgo que deixamos o tacto (no verdadeiro acesso da palavra, e não em sentido figurado) e muitas vezes até as palavras, para outro tipo de relações; não somos muito tácteis na amizade:)
Já estivemos muitos meses sem nos vermos, sem falarmos, mas, assim que nos encontramos, é como se tivessemos estado juntas no dia anterior. Porque há uma cumplicidade entre nós que finta a irreversibilidade do tempo, a distância e as contrariedades das nossas vidas.
Gostamos de ti. Sentimos muito orgulho em ter-te como nossa Amiga. O plural impõe-se, porque eu sei que ela, que ainda não nasceu, já te conhece. E sei que vai ficar fascinada a ouvir-te como eu ainda hoje fico. E sei que vai gostar muito de ti, como a Mamã.

Eu sei, que vamos ser Amigas para sempre.

Bigger than I am disse...

Mais uma prova que, mesmo com distância, amigos ficam para sempre!