quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

#Chumbo Nacional

Nos últimos tempos o nosso país é como um liceu maioritariamente sobrelotado de alunos insurrectos, repetentes, hiperactivos e insubordinados.
No entanto, há sempre os espertos, preocupados em saber, e por isso sentam-se na fila da frente, muito atentos. São aqueles que tentam, a muito custo, ouvir o Professor. São os que querem aprender. Mas, invariavelmente, a meio do período, alguns  desmotivam; entregam-se à inércia e juntam-se aos elementos desestabilizadores. Saltam para a fila de trás, fazem magote na confusão desordenada e desaprendem a gritar sem saber bem porquê. Juntam voz à crítica, pedem o que não querem e o que não sabem se querem - importa fazer barulho.
Inevitavelmente, chega o dia do teste e valem-se das cábulas. Porque não? É válido! Não se vale o "Engenheiro" de informação não formal? Não "escuta" também ele dos parceiros de travessuras? E não foi assim que chegou a Primeiro da classe governamental? Então! É o próprio que nos dá o respectivo exemplo! Copiem crianças! Oiçam do lado, espreitem o vizinho - é assim que se vai longe! Trapaceiem muito, mintam, sejam desonestos com a própria sombra e, talvez, quem sabe um dia, possam decidir da própria vida, quiçá da do vosso país.

Nos corredores desfilam docentes mais e menos competentes, como na tal Assembleia perpassam políticos de lição mais e menos preparada.
E, em dia de reunião intercalar, desfiam o rol de queixas acerca das precárias condições de trabalho. Exigem luxos discretos, porque em gabinetes decrépitos não é possível obter gananciosos resultados.
Mais conforto para estes Senhores, por favor! Eles que dirigem o País de forma tão próspera - bem se vê - precisam de amplas salas e climatizadas, onde o intelecto lhes possa produzir ousadas estratégias.


As pautas são públicas (agora), e em avaliação final, o sistema administrativo português classifica-se como antipedagógico e contraproducente. Soluções? Arrumar compêndios e procurar carteiras internacionais.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

#Em Contagem

CPM22 - Um Minuto Para O Fim Do Mundo

sábado, 6 de fevereiro de 2010

#Para Ti, B

Aguardei-te ansiosa. A Mãe sabia como eu estava feliz com a tua chegada.
Há laços que não se explicam e tu vais perceber o meu e o da tua Mã e enquanto cresceres. E vais ter uma amiga assim, de quem nos sentimos muito pertinho, mesmo quando a distância física impede o calor de um abraço. Uma amiga das que sobrevivem à passagem do tempo e das vidas que vamos experimentando ao longo da nossa.
A Mãe estava linda contigo a mexer muito dentro da barriga, e tu és uma Bebé  maravilhosa, com as tuas mãozinhas perfeitas fechadas com força e a carinha deliciosa de soninho que diz: "Deixem-me agora descansar, está bem?"

Fico embevecida e não me canso de olhar-te... sejas muito bem-vinda B! Que possas, um dia, ler o quanto eu já gostava de ti quando só davas pontapés pequeninos na barriga e que, nessa altura, já não precises destas linhas e sintas o meu carinho sempre me deres um abracinho apertado.    

Para ti Mãe-Amiga, mais uma vez, faltam-me todas as palavras... e fico, novamente, no silêncio de um olhar molhado. O teu Pequenino Milagre é perfeito.
Sei que este não será o último momento de partilha contigo que me fará chorar de alegria e isso é reconfortante.  

domingo, 24 de janeiro de 2010

#Danger Bags!

Bolsas de mulheres são um mito. Perdão, minto, apenas o conteúdo. Nenhum homem gosta de se aproximar. Quando o fazem, lê-se-lhes uma expressão de medo.
Sempre que profiro a frase simples : “Por favor, passa-me a minha bolsa”, a linguagem corporal do escolhido transporta-me imediatamente para o cenário de um filme americano - ele, qual membro SWAT, objecto dúbio entre mãos em cuidadoso equilíbrio, move-se lentamente enquanto executa os procedimentos de forma meticulosa.
Interrogo-me muitas vezes porque carregamos tanta coisa lá dentro 
e, acabo por concluir que, para além das bugigangas femininas lugar-comum, as nossas malas carregam toneladas de pensamentos, de sentimentos, de afectos que vamos guardando ao longo do dia, porque ontem, hoje, amanhã - na actualidade - as mulheres tornaram-se muito mais contidas, mais ponderadas, apesar da verdadeira essência que subjaz ao sexo feminino. É assim que deve ser e assim que a sociedade impõe. Mulheres sem sentimentos à flor da pele, porque isso não combina com a vertigem dos saltos altos e dos íngremes blazers que fazem de nós executivas de sucesso nalgum escritório top floor. Já não fica bem sermos princesas ou termos pretensões à (in)alcançável torre do castelo. Melhor, fica sim, mas esperar que o príncipe escale de flor na boca? Compramos o castelo porque somos emancipadas, e se o príncipe quiser passar lá uma ou outra noite muito bem, mas tudo sem compromissos. E, entenda-se à partida, que o nobre candidato a pernoitar não espere pequeno almoço romântico, porque não queremos laços emocionais. Fazemos parte de uma geração andrógina, (desi)evolutivamente masculina física e sentimentalmente.
Por causa disso, aumentamos o tamanho das bolsas, para guardamos a nossa herança cromossómica, aquela que diariamente nos torna um par xx muito up to date mas que desvirtua a natureza feminina e a própria feminilidade, e para escondermos o compartimento dos incentivos a dar, 
porque os homens são Pavlovianos e precisamos incitar-lhes o reflexo condicionado. 
Sou mulher e, como já disse e repito, uma conservadora. Para mim o que está out fashion são malas oversized e, por isso, continuo a preferir emoções em tamanho XL.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

#Preciosa Lu

Existem pessoas que, pela pertinência das suas afirmações, jamais podem ser esquecidas. Da minha parte poderão sempre contar com uma nota de entusiasmo, de merecido reconhecimento, pelo contributo peculiar que dão aos meus dias.
Há uns anos, poucos, lembro-me da "super-hiper-mega refixe" Floribela, cujo talento  – que ela sempre disfarçou muito bem, já que até hoje a única coisa que realmente me lembro é o sotaque do Porto, porque esse, ah! esse ela não disfarçava nem um bocadinho - fica imediatamente relegado, e sucumbe a outros "dotes". Porque isto, há meninas que vem ao mundo mais dotadas que outras. E há as que se fazem dotar entretanto.  E também as que abrem a boca e são, por si só, verdadeiros tesouros! 
A proficiência desta chegou-nos ao conhecimento através de um programa em que mesma oscilava entre a representação e os dons vocais - sim, oscilava, porque em qualquer dos dois o desempenho era periclitante - alguma coisa tipo Cinderela Rouxinol (aliás, esse momento televisivo era realmente uma amálgama de sensações, um folclore para os sentidos. Novela? Seriado? Espectáculo de variedades? Comédia e/ou drama? Dos 8 aos 80? Nunca consegui classificá-lo nem perceber o objectivo ...)
Na época o país queria saber quem era a espevitada do "Vestido Azul" e vogais abertas, e ela, a destravada de língua solta, muito segura e com aquela permanente demodé à la Cher, disse: "Eu sou a Luciana Abreu. Sou de Vila Nova de Gaia e tenho muitas saudades do 'Puorto'. Principalmente das pipocas do Arrábida, são tãoooo docinhas!!"
Pronto, a partir desse momento segui religiosamente todo o tipo de entrevistas da "Lu" (passei a ter-lhe afeição depois de uma resposta deste nível, e escolhi-lhe um epíteto carinhoso). Quer dizer, a catraia não teve saudades do Douro, dos barcos rabelos, dos Clérigos e da Foz, sequer do vinho do Porto ou do Estádio do Dragão, ela teve saudades das pipocas de um centro comercial! Isto foi uma coisa que me levou a depositar-lhe esperança e me fez acreditar que me proporcionaria outros momentos hilariantes em futuras entrevistas. Só por isso não mais a perdi de vista e mantive-me atenta às suas intervenções sem guião, nos meios de comunicação.
Entretanto, porque nem todos nascemos abençoados pelos mesmo dons da Lu - destinados a ser super-hiper-mega famosos, a brilhar e rebrilhar - nalgum imprudente momento de desatenção, perdi-lhe o rasto. No entanto, para minha surpresa, enquanto folheava uma revista, encontrei-a quase irreconhecível. Estava muito mais para "Luh" ou "Lluh", do que para a "Lu Pipoca Arrábida" que a minha memória guardava, e já não se aplicava o meu petit nóm afável; exigia-se qualquer coisa mais lânguida, mais lasciva, já que no lugar do "Vestido Azul", ela tinha-se despido para a FHM. No entanto, como até a Marge Simpson ganhou portentosos atributos físicos numa outra revista de deleite masculino, encarei a situação com normalidade e acreditei veementemente no meu instinto identificador de jóias verbais. Toda ela era uma mina e, eu sabia, dali sairiam mais quilates em bruto ao bom estilo "pipocas docinhas".
Sem falsas modéstias, adoro quando tenho razão!
Esta grande senhora, numa recente entrevista ao jornal 24 horas e porque já cantou “Vestido Azul”, participou no "Ídolos" e... teve um affair com o Michael Carreira – tem, portanto, um indubitável e consistente conhecimento acerca de música que a legitima - fez o seguinte comentário:
“Manuel Moura dos Santos revela falta de cultura musical.”
Consta ainda que, tempos antes de ter vestido e despido o retalho de tafetá*1 celeste, este luso diamante por lapidar também participou no "Cantigas da Rua". Assim sim! Agora até já conseguimos entender a ousadia do comentário, com um currículo destes, a Lu pode!
Eu sabia que as minhas expectativas não seriam defraudadas e que a espera seria pontualmente coroada com estes mimos da joalharia discursiva. Observações destas são "Cartier's" para os meus olhos!


*1-homens que leiam os meus posts e sejam homens à antiga, isto é, os que não se inserem na classificação metrossexuais, ou que estão ainda a dar os primeiros passos nessa longa peregrinação e, por isso, começam a valorizar mais o público feminino e as provações inerentes à duplicação do X: tafetá é um tipo de tecido, um pano de seda lustroso.