sexta-feira, 27 de novembro de 2009

#Aditamento Ao Post Anterior

Cada um (per)segue a fé em que (des)acredita, cabendo aos demais respeitar. Não posso, no entanto, concordar com depreciações gratuitas. Sejam estas acerca de crenças religiosas, políticas ou sociais.
Para mais porque, se atentarmos à História de Portugal, percebemos ter sido com o apoio da Igreja Católica, por intermédio dos cruzados e do reconhecimento do Papa, que se conquistaram terras aos mouros, o que permitiu não apenas fundar como, posteriormente, alargar o nosso “condadozinho”. Só por esta tradição inegavelmente cristã, já se lhe deve respeito.
E o Senhor Saramago, culto que é, sabe-o bem. Assim como sabe do ilustre estatuto que goza, podendo então, dispensar-se de prelecções em jeito de afobada afirmação adolescente. Existem outras formas mais adequadas de causar polémica e, consequentemente, suscitar curiosidade sobre o seu livro, o qual, não duvido, estar dotado de qualidade superior.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

#Expatriados

Há fenómenos muito curiosos. Eu não percebo, palavra de honra, a necessidade de alguns nacionais em ofuscar aquilo que também lhes pertence. No entanto, o que me ultrapassa completamente, é a vassalagem que o resto da população presta aos que nos ignoram, os quais, por diversas vezes, falam acerca do país em discurso condescendente, do género: “Pois, mas é verdade, nasci e cresci em Portugal, mas, tive a sorte desta oportunidade. De todo o modo, tenho muito carinho por aquele rectangulozinho”. Pois claro que tem, foi à custa dos papalvos do rectangulozinho que a “estrela” começou o seu percurso de ascenção. Ainda assim, mal se apanha em constelações internacionais, aí vai disto, “tem muito carinho”. Visitam-no até, de vez em quando, porque (e já ouvi coisas deste género): “Tenho muitas saudades dos costumes simples, do modo de vida humilde, ligeiramente rural, mesmo que nas cidades.” E os autóctones, os trogloditas da terrinha à beira mar plantada, quase vão às lágrimas, porque, imagine-se lá, um filho da terra, conta de onde vem e, pasme-se, fala do país que o fez com ternura!
É quase uma regra: quanto mais o astro se afastar da galáxia nacional, mais o povinho o eleva no firmamento. É um fenómeno formidável! Uma aurora boreal adulatória!
Vem o Cristiano Ronaldo e, ai que aflição, necessitamos desesperadamente da sua prestação meteórica na Selecção! Isto, realmente, é melhor ele não ser avaliado pela nossa medíocre medicina, porque, a bem da verdade, de vez em quando, o gaiato não só ostenta o escudo ao peito, como corre durante alguns minutos da partida, para depois trocar de chuteiras no banco, com grande plano sobre o logotipo da marca patrocinadora. Que menino de ouro - literalmente. Estendam-se os tapetes vermelhos e apele-se não só à ajuda dos céus, como às entidades espirituais paralelas! Tratando-se de tão distinta personalidade, não há lugar para clubismos nem guerras de claques, tampouco raças ou credos, há pacóvios unidos para o benefício dessa concreta personalidade superior.
E, por falar em credos, ocorre-me outro – o nosso mui nobre Prémio Nobel da Literatura! Aquele, cuja passagem pela atmosfera nacional, tem características de cometa – uma pequena fracção de tempo, de muitos em muitos anos - ou seja, praticamente não põe os digníssimos membros cá no burgo; a não ser, se para ver hordas de compatriotas de mãos erguidas, em genuflexão, implorar-lhe em nome da bondade divina, que não renuncie à nacionalidade. E o Senhor, profundamente sensibilizado com a subserviência nacional, reconsidera, ficando-se apenas por achincalhar a fé religiosa da maioria da populaça. Que é como quem diz: “Oh papalvos, só vocês que vivem no rectangulozinho e cujo entendimento se limita à linha do horizonte, são desprovidos de clarividência a ponto de não perceberem que, a Bíblia, é um autêntico buraco negro. Um vazio celestial!” Sorte a nossa, julgo eu, existirem pessoas destas, que habitam outros sistemas solares do conhecimento e, generosamente, nos iluminam o intelecto.
Sabe, Excelentíssimo Prémio Nobel da Literatura, confesso-lhe a minha infinita ignorância - a qual, percebo, de dimensão intergaláctica – porque, sempre pensei que os episódios da Bíblia, não eram mais que “metáforas”, as tais das comparações sem “como”. Mas, de prosa percebe o Senhor, eu sou apenas uma portuguesa ensinada nalguma fosca instituição de ensino da ilustre Pátria que nos é comum.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

#Auspiciosa Derrota



Everything is new....

#Vida E Velas

Ontem foi o teu aniversário. E, apesar de agora, o primeiro beijinho depois de soprar as velas, pertencer ao teu marido, a nossa família continua igual.
Quando eras criança tinhas dois bolos. O que a Avó te fazia, e o que a Mãe comprava. Normalmente, um deles era para eu apagar as velas depois de ti, porque sou a mais nova e, então, pelo facto de teres tido o descaramento de nascer uns anos antes, sentia-me muito injustiçada. O mínimo que se esperava, como é óbvio, era que dividisses comigo o protagonismo familiar do teu dia de anos. Obrigações de irmã mais velha...
Agora que já consigo conviver pacificamente com a questão cronológica faternal, agora que continuamos irmãs e, dizem, sermos duas adultas, permanece tudo igual. Tiveste na mesma dois bolos. O que eu te fiz - em jeito de arrependimento pelos anos de apropriação pasteleira - e um outro que a Mãe te comprou, descrente nos meus dotes de pastelaria.
Há coisas que nunca mudam. Nem devem porque carregam uma reconfortante repetição. Os anos passam, e tu continuas a ter dois bolos.
PARABÉNS MANA!
Somos as duas adultas, agora, e o primeiro beijinho depois dos parabéns é, merecidamente, do teu marido. Mas, naquele momento em que só tu percebeste o meu sarcasmo e que rimos só nós as duas, alheadas do resto da mesa intrigada, naqueles minutos que nos faltava o ar e o nosso olhar era de cúmplice entendimento, eu percebi que ontem fomos crianças, hoje somos adultas e amanhã seremos velhinhas, mas os nossos estados de espírito serão uma constante correspondência eterna.
Só por isso, quando eu tiver um marido, dou-lhe o segundo beijinho. O primeiro, esse, será sempre teu.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

#Assim Devemos Morrer


"Era tão premente a paixão restaurada que em mais de uma ocasião eles olharam-se nos olhos quando se dispunham a comer e, sem se dizerem nada, taparam os pratos e foram morrer de fome e de amor no quarto."

in Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez